O que são acordes, ouvindo cada um
Acorde é três ou mais notas soando ao mesmo tempo. O que dá nome e cor ao acorde não são as notas em si, mas a distância entre elas: as mesmas distâncias, a partir de qualquer nota, dão o mesmo tipo de acorde — e basta uma nota se mover um semitom para o maior virar menor. É o acorde, mais do que a melodia, que faz uma música soar alegre, escura ou tensa. Aqui embaixo cada uma dessas ideias vira um brinquedo: você aperta, ouve e vê qual tecla se mexeu antes de ler uma linha sobre ela.
Role e experimente — cada acorde desta página soa quando você toca.
Três notas juntas: de onde vem a palavra acorde
Aperte ▶ e ouça: primeiro o dó sozinho, depois o mi, depois o sol — e no fim as três ao mesmo tempo. Uma nota sozinha é só uma nota. Duas notas fazem um intervalo, a distância entre elas. Três ou mais soando juntas fazem um acorde, e o que você ouviu por último é o acorde mais conhecido que existe: dó maior.
Repare no que muda quando as três chegam juntas: elas deixam de ser três sons e viram um só, com uma cor própria. É essa mistura que a palavra acorde nomeia — não as notas, mas o som que elas produzem ao concordar. Um acorde pode ter três, quatro ou mais notas; nesta página você vai ouvir os de três, as tríades, e os de quatro, as tétrades.
Aperte ▶ e ouça o dó, o mi e o sol entrarem um a um antes de soarem juntos.
Terça sobre terça: a tríade é dois intervalos empilhados
Ouça as terças e acompanhe os dois arcos: de dó a mi há uma terça maior, quatro semitons; de mi a sol, uma terça menor, três. A tríade é isso — uma terça em cima da outra, as duas partindo de notas vizinhas. A nota de baixo se chama fundamental, e é ela que dá nome ao acorde: dó maior é o acorde cuja fundamental é dó.
Se você veio da página dos intervalos, já ouviu essas duas terças separadas; aqui elas soam empilhadas, e o acorde é a soma. Contando da fundamental, as outras duas notas são a terça e a quinta — dó, mi, sol: a terceira e a quinta nota a partir do dó. É por isso que se fala em "a terça do acorde" e "a quinta do acorde": são os graus, contados de baixo.
Ouça as terças uma de cada vez e leia o nome em cada arco: terça maior embaixo, terça menor em cima.
Maior e menor: a nota do meio decide
Aperte Comparar e ouça dó maior virar dó menor. Só uma tecla se mexeu — a do meio, o mi, que desceu um semitom para mi bemol — e o acorde inteiro mudou de cor. É a terça que decide: terça maior embaixo (quatro semitons) faz o acorde maior; terça menor embaixo (três) faz o acorde menor. A fundamental e a quinta ficam exatamente onde estavam.
Muita gente ouve o maior como mais claro ou alegre e o menor como mais escuro ou melancólico — é uma pista útil para começar, não uma lei: um acorde menor pode soar doce, e um maior pode soar solene, dependendo da música em volta. O que vale treinar é ouvir a distância: o maior é 4 + 3 semitons, o menor é 3 + 4. Os mesmos dois intervalos, em ordem trocada.
Aperte Comparar e ouça maior e menor um depois do outro: a única tecla que se mexe é a do meio.
A quinta que encolhe ou estica: as quatro tríades
Maior e menor têm a mesma quinta: sete semitons acima da fundamental, a quinta justa. As outras duas tríades nascem quando essa quinta muda de tamanho. Encolha um semitom a quinta do acorde menor e você tem o diminuto — 3 + 3, uma quinta diminuta, que é o trítono da página dos intervalos. Estique um semitom a quinta do acorde maior e você tem o aumentado — 4 + 4, uma quinta aumentada.
Ouça os quatro lado a lado: maior, menor, diminuto, aumentado. Os dois primeiros soam estáveis, como se pudessem ficar ali; os dois últimos soam tensos, como se pedissem para ir a algum lugar. Nenhum é errado — a música usa os quatro, e o diminuto e o aumentado existem justamente para criar a tensão que os outros dois resolvem. É a família inteira dos primeiros três níveis do jogo.
Escolha uma das quatro tríades e ouça: a tecla da quinta é a que anda para dentro ou para fora.
A sétima: a quarta nota, mais uma terça em cima
Ouça a tríade e depois a quarta nota que entra por cima: mais uma terça, e a tríade vira uma tétrade — um acorde com sétima, porque a nota nova é a sétima contada da fundamental. Com a tríade maior de dó, duas sétimas são possíveis: o si, sétima maior, dá o dó maior com sétima maior; o si bemol, sétima menor, dá o dó com sétima, que se chama dominante. A tríade menor com sétima menor dá o dó menor com sétima.
A quarta nota traz mais cor e um pouco mais de tensão, e o tamanho da sétima muda o caráter: a sétima maior tende a soar mais suave e suspensa; a sétima menor sobre a tríade maior — o dominante — tende a soar como um acorde que pede continuação, o que a música usa para voltar para casa. O menor com sétima soa como o menor com mais espaço. A família tem ainda o meio-diminuto e o diminuto com sétima, que o jogo apresenta no mesmo nível.
Ouça primeiro a tríade e depois a mesma tríade com a sétima, e troque entre sétima maior e sétima menor.
Na pauta: o boneco de neve
Na partitura o acorde aparece como uma coluna de cabeças de nota, todas no mesmo lugar do compasso, uma em cima da outra. Em posição fundamental — a fundamental embaixo, como em toda esta página — a tríade tem uma forma que se reconhece de longe: as três cabeças ficam todas em linhas ou todas em espaços, uma sobre a outra, como um boneco de neve.
É a mesma regra da página dos intervalos aplicada duas vezes: uma terça tem as duas notas ambas na linha ou ambas no espaço, e a tríade é terça sobre terça. Com a sétima entra mais uma cabeça na mesma regra, e o boneco ganha quatro bolas. A pauta diz quais notas estão lá; se a terça é maior ou menor, só o acidente e a armadura dizem — e o ouvido confirma.
As duas colunas estão na tela ao mesmo tempo: à esquerda as cabeças caem todas na linha, à direita todas no espaço. Aperte “Com a sétima (4)” e a regra continua valendo, agora com quatro.
Explorar: qualquer acorde, de qualquer fundamental
Agora tudo junto: escolha a fundamental, o tipo de acorde e se as notas soam juntas ou arpejadas — uma de cada vez, acumulando até o acorde inteiro. A fundamental acende em índigo, as outras notas em violeta, e ao lado aparecem o nome e a cifra. São as mesmas cores que o jogo usa para revelar a resposta.
A cifra é o jeito curto de escrever um acorde: uma letra para a fundamental (C é dó, D é ré, e assim por diante, com ♯ para sustenido) e um sufixo para o tipo. O maior não leva sufixo nenhum: C é dó maior. Cm é dó menor, C° é diminuto, C+ é aumentado, C7 é dominante, Cmaj7 é maior com sétima maior, Cm7 é menor com sétima. Mude só a fundamental e repare: o tipo continua soando igual de qualquer tecla — o acorde é a relação entre as notas, não o lugar delas.
Escolha a fundamental e o acorde, ouça junto e arpejado, e depois troque só a fundamental para ouvir que o tipo continua o mesmo.
E agora?
Acorde não se aprende decorando a tabela de cifras: aprende-se ouvindo um acorde, dizendo o nome e descobrindo na hora se era aquele mesmo — muitas vezes, em sessões curtas. É o que o jogo de acordes faz, nível por nível: começa com maior e menor, acrescenta o diminuto e o aumentado, apresenta os acordes sus, entra nas sétimas e termina nas nonas e nas extensões.
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E se você quiser a tabela completa — todos os acordes, com inversões, extensões e o campo harmônico de cada tom —, um bom livro de harmonia tem isso nas primeiras páginas, e esta página não o substitui. Ela existe para que, quando você abrir o livro, cada linha da tabela já tenha um som na sua cabeça.
Perguntas frequentes
O que é um acorde?
Acorde é um conjunto de três ou mais notas soando ao mesmo tempo. O mais comum é a tríade, três notas empilhadas em terças — dó, mi, sol, por exemplo —, e a de baixo, a fundamental, dá nome ao acorde. O que define o tipo do acorde (maior, menor, diminuto, aumentado) é a distância entre as notas, não as notas em si: as mesmas distâncias a partir de qualquer fundamental dão o mesmo tipo.
Qual é a diferença entre acorde maior e menor?
Uma nota só: a do meio, a terça. No acorde maior a terça está a quatro semitons da fundamental (dó–mi); no menor, a três (dó–mi♭). A fundamental e a quinta são as mesmas nos dois. Um semitom de diferença, e o acorde muda de cor — o maior costuma soar mais claro e o menor mais escuro, uma pista útil para começar a ouvir, não uma regra.
O que significa a cifra (C, Cm, C7)?
A cifra é o acorde escrito em código: a letra é a fundamental (C é dó, D é ré, E é mi, F é fá, G é sol, A é lá, B é si) e o que vem depois é o tipo. Letra sozinha é acorde maior — C é dó maior. Cm é dó menor, C° é dó diminuto, C+ é dó aumentado, C7 é dó com sétima (dominante), Cmaj7 é dó maior com sétima maior, Cm7 é dó menor com sétima. Um ♯ ou ♭ depois da letra altera a fundamental: F♯m é fá sustenido menor.
O que é um acorde com sétima?
É a tríade mais uma quarta nota, uma terça acima da quinta — a sétima contada da fundamental. Sobre a tríade maior, a sétima maior (dó, mi, sol, si) dá o acorde maior com sétima maior, Cmaj7; a sétima menor (dó, mi, sol, si♭) dá o acorde dominante, C7, o que mais pede continuação. Sobre a tríade menor, a sétima menor dá o menor com sétima, Cm7. Há ainda o meio-diminuto (Cm7(♭5)) e o diminuto com sétima (C°7).
E inversões, sus2/sus4 e acordes de nona?
São o passo seguinte. Inversão é o mesmo acorde com outra nota embaixo — a terça ou a quinta no lugar da fundamental —, o que muda a forma na pauta sem mudar o nome. Sus2 e sus4 trocam a terça por uma segunda ou uma quarta, e o acorde deixa de ser maior ou menor. Nona, décima primeira e décima terceira são terças a mais em cima da sétima. Nesta página todos os acordes estão em posição fundamental; o jogo de acordes apresenta os sus no nível 4 e as nonas e extensões a partir do nível 8.
Como treinar o ouvido para reconhecer acordes?
Ouvindo um acorde, dizendo o nome e conferindo na hora, muitas vezes — começando com dois tipos bem diferentes, maior e menor, e acrescentando um de cada vez: o diminuto, o aumentado, depois as sétimas. Ouvir o acorde também arpejado, nota por nota, ajuda a achar a terça do meio; cantar a fundamental ajuda a fixar o resto por cima dela. Sessões curtas e diárias rendem mais do que uma longa por semana.